sexta-feira, 5 de abril de 2019

Introdução

Autor: Carlos Sodre Lanna


Carlos Eduardo Sodré Lanna



Brasil
Primeiras páginas de uma

Legenda



Meu Senhor e meu Deus! – exclamou São Tomé, ao tocar com as mãos nas chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo, após a Ressurreição. Através desse gesto quis Deus ajudar todos os incrédulos que, a exemplo do Apóstolo, existiriam até o fim dos tempos.

Só vendo para crer

Surgiu daí a expressão: “Sou como São Tomé, só vendo para crer”. Sua resposta, contudo, foi um brado de fé, adoração e submissão. Expressão tão bela que a Igreja Católica a recomenda como ato de adoração dos fiéis durante a missa, no momento da elevação da hóstia na consagração.
De incrédulo, São Tomé se tornou ardoroso apóstolo de povos em terras ignotas. Passou pela América evangelizando e fazendo milagres. Expulso daqui, foi parar na Índia, onde pregou e sofreu o martírio.
A legenda da evangelização do Brasil e da América começa nas brumas da História, com São Tomé, e só vai retornar 1.500 anos depois, com a chegada dos portugueses e espanhóis. As lembranças e reminiscências de São Tomé – chamado pelos índios de Sumé – prepararam e facilitaram a pregação dos missionários e a conversão dos nativos.

Terras muito remotas

Entretanto, os Descobrimentos são precedidos de outro acontecimento pouco conhecido e muito misterioso: a aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo a D. Afonso Henriques nos campos de Ourique em 1139, quando instou o então Conde Portucalense a aceitar ser aclamado Rei de Portugal com a missão de levar o Evangelho a “terras muito remotas”.
Grandes missionários, como o Beato Anchieta, realizaram depois, nesta extensão de Portugal chamada Brasil, milagres da estatura dos primeiros apóstolos. A própria Rainha do Céu e da Terra, séculos antes de enternecida aparecer a três pastorzinhos em Fátima, despontou aqui “terrível como um exército em ordem de batalha” (Cântico dos cânticos, 6,9), pondo para correr os invasores holandeses e franceses ansiosos de nos impor sua falsa religião; colocando os batavos em polvorosa ao transformar areia em pólvora no Monte das Tabocas... São ainda os mártires da Legião Tebana que aparecem no Espírito Santo para expulsar os holandeses.
Tais temas constituem a matéria do presente livro que gostaria fosse o primeiro de uma série: acontecimentos e fatos desconhecidos e mesmo silenciados dos compêndios de História nos fazem conhecer os misteriosos desígnios da Providência Divina para com o continente americano, e, de modo especial, o Brasil.

Plinio Corrêa de Oliveira

Com suas profundas aulas, conferências e obras, o ilustre pensador e homem de ação, Professor Plinio Corrêa de Oliveira (1908-1995), nos descortinou o magnífico panorama da Teologia e Filosofia da História, ensinando-nos a conhecer e amar a Deus nos acontecimentos humanos. Igualmente nos estimulou a pesquisar e escrever artigos para a revista de cultura Catolicismo, orientando-nos e, muitas vezes, sugerindo textos e pensamentos aproveitados ao longo destas páginas.
De 1990 até o ano de seu falecimento, ele organizou dentro da entidade que fundou e presidiu – a Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP) – uma comissão de estudos para a elaboração de vários livros. Dentre estes um, ou mesmo uma série, mostrando a face pouco conhecida da História do Brasil.
Seu objetivo – que continua sendo o nosso – era deixar patente o contraste entre o Brasil dos planos da Providência e o Brasil decadente e ferido pela grave crise moral e religiosa de nossos dias, do qual ressurgisse o Brasil católico, cheio de Fé e grandeza, sobre o qual reina Nossa Senhora Aparecida.

Resgatar a História

Nossa pretensão é, pois, resgatar a verdadeira História e, fazendo-o, desmentir a enorme contrapropaganda surgida por ocasião dos 500 anos do descobrimento da América e da grandiosa obra civilizadora do cristianismo.
Trataremos logo de início da legendária presença de São Tomé no Brasil, da aparição de Nosso Senhor a D. Afonso Henriques em Ourique, da obra missionária portuguesa com os milagres e prodígios na conquista do nosso território. Na mesma senda, nos ocuparemos da aparição milagrosa da Virgem da Conceição Aparecida, preparando o Brasil imperial.
Falaremos da decadência das missões e da mudança de rumo encetada pela nova corrente missionária que abandonou a pregação do Evangelho para promover a exaltação de um novo comunismo tribal. E procuraremos explicar a formação das elites no Brasil Colônia, no Brasil Império e mesmo na República.

D. Luiz de Orleans e Bragança

Concluiremos com uma entrevista de D. Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, sobre a missão providencial deste, acrescida de um texto de Plinio Corrêa de Oliveira no mesmo sentido.
Possa este despretensioso trabalho concorrer para aumentar o conhecimento e o amor dos brasileiros em relação aos grandiosos planos que a Divina Providência condescendeu em ter para com a nossa Pátria.
Resta-nos suplicar a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, para que restaure e faça florescer o quanto antes entre nós uma civilização genuinamente católica.

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